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Perfil das intoxicações agudas exógenas infantis na cidade de Maringá (PR) e região, sugestões de como se pode enfrentar o problema

 

Profile of the exogenous acute intoxication infantiles in Maringá - Paraná, Brazil and regions, suggestions on how to overcome the problem

 

 

José Carlos AmadorI; Zuleika ThomsonII; César Eduardo da Silva GuilhermeIII; Simone Felizardo RochaIV

Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (PR)
IMestre em Saúde Coletiva. Professor assistente de Pediatria. Hospital Universitário da Faculdade de Medicina de Maringá.
IIProfessora adjunta do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Doutora em Pediatria
IIIAcadêmico de Medicina da Universidade Estadual de Maringá
IVAcadêmica de Medicina da Universidade Estadual de Maringá

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Determinar o perfil das intoxicações exógenas agudas na cidade de Maringá (PR) e região
MÉTODO: A presente pesquisa constitui um delineamento descritivo e retrospectivo, utilizando as Fichas Epidemiológicas de Ocorrência Toxicológica do Centro de Controle de Intoxicações de Maringá. A área desse estudo abrange Maringá e região. A área envolvida no presente estudo totaliza 802.318 habitantes, com 44 cidades, num raio aproximado de 50 km, e uma população estimada de 71.457 habitantes com menos de 14 anos: 27,1% (IBGE 1991). Foram estudados 194 casos em menores de 14 anos, atendidos no CCI do Hospital Universitário de Maringá, no ano de 1995.
RESULTADOS: Os medicamentos foram os principais envolvidos nas intoxicações, sendo que os anticonvulsivantes e ansiolíticos foram os principais responsáveis, tanto na incidência como no item gravidade. O grupo compreendido entre um e quatro anos foi o mais atingido, 65,5% (p < 0,05), com idade média de 3,98; e desvio padrão de ± 3,68, houve mais casos do sexo masculino, 56,7%. Aconteceram mais intoxicações nos horários próximos às principais refeições. Conclusão: As intoxicações são um problema de real importância, atingindo principalmente as crianças nos primeiros quatro anos de vida, sendo os medicamentos os principais responsáveis.

Descritores: Intoxicações agudas exógenas, crianças, substâncias tóxicas


ABSTRACT

OBJECTIVE: determinate the profile of acute exogen intoxication in Maringá city and region.
METHOD: the current research constitutes a retrospective and descriptive delineament using the epidermiologic datas of toxicology ocurrence in the Center of Intoxication Control in Maringá City. The area of this study includes Maringá and region. It involved 802318 habitants, with 44 cities among 50 Km, in an estimated population of 71.457 habitants less than 14 years old: 27,1% (IBGE 1991), 194 children's cases were studied less than 14 years old, consulted at CCI in H.U.R.M., in the year of 1995
RESULTS: The drugs, being anticonvulsants and ansiolitics are the most involved as incidence as gravity. The comprehended group among 1 and 4 years old was the most afected, 65,5%, (p<0,05) with an average age 3,98 and standard desviation in (SD ± 3,68). There were more cases in male (56,7%). The most incidence happened next to the main meals.
CONCLUSIONS: the intoxications are important real problem, envolving mainly children in the first 4 years of age, being the drugs the main responsible.

Keywords: Exogenous acute intoxication, children, toxicant substance


RESUMEN

OBJETIVO: determinar el perfil de la intoxicaciones exógeno aguda a la ciudad de Maringá y región.
MÉTODOS: la actual investigación constituye un delinear retrospectivo y descriptivo que usa la fecha epidemiológicas de ocúrranse de toxicologiílla en Centro de Mando de Intoxicación en la ciudad de Maringá. El área de este estudio incluye Maringá y región. Involucró a 802.318 habitantes, con 44 ciudades entre 50 Km, en una población estimada de 71.457 habitantes con menos del 14 años edad: 27,1% (IBGE 1991). Se estudiaron 194 casos en niños menos del 14 años edad, consultó a CCI en H.U.R.M., en el año de 1995.
RESULTADOS: Las drogas son los principiáis envueltos en las intoxicación, siendo anticonvulsivantes y ansiolíticos los más envueltos como incidencia como gravedad. Lo grupo comprendido entre 1 y 4 años era la mayoría de los afectad, 65,5%, (p <0,05) con una media edad 3,98 y el desviación normal en (SD ± 3,68). había más casos en varón (56,7%). El la mayoría del las incidencias pasó al lado de las comidas. Conclusiones: las intoxicaciones son problema del real importante, envolví principalmente los niños en los primeros 4 años de edad, siendo las drogas la principal contestación.


 

 

Introdução

Com a redução da mortalidade infantil conseqüente à queda das doenças infecciosas, tanto nos países industrializados quanto naqueles em desenvolvimento1,6,13,14,20,23, ocorreram mudanças em relação à mortalidade e à morbidade, e os acidentes passaram a ocupar o primeiro lugar em muitos países, tornando-se comuns tanto entre os pobres como entre os ricos. As causas externas, entre as quais se incluem os acidentes, homicídios, suicídios e outras violências, muitas delas causadas por intoxicações agudas exógenas, constituem a primeira causa de morte a partir dos dois anos de idade1.

Nos Estados Unidos3,4,9,16,17, as crianças com menos de 12 anos representaram 64,3% de todos os casos de intoxicações, com predomínio do sexo masculino em relação ao feminino.

No Brasil, existem poucos trabalhos em nível de estatística sobre a incidência de intoxicações agudas exógenas infantis.22

SCHVARTSMAN, S21,22 afirma que, tanto no Brasil como em outros países, vem-se mantendo uma preponderância das intoxicações medicamentosas, seguidas pelos produtos de uso domiciliar, plantas e pesticidas e relaciona fome e sede como fatores que podem aumentar o risco de intoxicação.

No Brasil, entre as iniciativas visando prevenir as intoxicações, destaca-se o projeto de lei de Embalagem Especial de Proteção à Criança (EEPC), enviado pela Sociedade Brasileira de Pediatria ao Congresso Nacional. Este estudo foi realizado com o objetivo de determinar o perfil das intoxicações agudas exógenas na cidade de Maringá (PR) e região e sugerir algumas soluções.

 

Metodologia

A presente pesquisa constitui um delineamento descritivo e retrospectivo, que analisou as Fichas Epidemiológicas de Ocorrência Toxicológica do Centro de Controle de Intoxicações (CCI) de Maringá, do Hospital Universitário Regional da Universidade Estadual de Maringá, para o grupo de crianças menores de 14 anos no período de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 1995.

A área deste estudo abrange Maringá e Região. Maringá é uma cidade situada na região noroeste do Estado do Paraná. Em 1997, completou 50 anos. Sua área é de 486.527 km2 e uma população estimada para o ano de 1995 de 263.065 habitantes10. Essa população está assim distribuída: 97,4% na zona urbana e 2,6% na zona rural. A área envolvida no presente estudo totaliza 802.318 habitantes, com 44 cidades, num raio aproximado de 50 km, e uma população estimada de 71.457 habitantes com menos de 14 anos 27,1%.

O CCI de Maringá, fundado em março de 1989, foi o primeiro Centro de Controle de Intoxicações do estado do Paraná que, além de prestar informações, atende o paciente intoxicado desde a fase aguda até o final do tratamento, mantendo ainda um ambulatório para o acompanhamento dos pacientes.

A pesquisa baseou-se nas fichas dos pacientes atendidos no Hospital Universitário Regional de Maringá; foi usado como processador de texto o programa Word da Microsoft, e para elaboração de planilhas o programa Excel da Microsoft.

De um total de 435 menores de 14 anos, atendidos no CCI do Hospital Universitário no ano de 1995, fazem parte deste trabalho 194 casos. Foi excluído um caso de alcoolismo, porque esse dado era conflitante com as normas então em vigor no CCI, de não anotação dos casos de alcoolismo. Três fichas apresentaram erros de preenchimento que não permitiram sua análise. Sete casos, embora bem documentados, não pertenciam à região que nos propusemos a estudar. Foram excluídos 230 casos relacionados a acidentes ofídicos, picadas de insetos e intoxicações por alimentos.

Quanto ao item gravidade, adotamos o seguinte critério, com base no trabalho de KING & PALMISANO.14

1. Grave: o paciente que permanece internado após procedimentos do tipo lavagem gástrica ou observação médica.
2. Moderada: ocorre algum procedimento do tipo lavagem gástrica ou observação médica, mas sem internação.
3. Leve: a família recebe somente orientação ou acompanhamento por telefone e nenhum procedimento.
4. Ignorada: não é possível classificar a extensão do dano.

 

Resultados

Na maioria dos episódios de intoxicações, havia envolvimento de somente um produto (183 = 94%). A ocorrência simultânea de dois produtos aconteceu oito vezes (4%) e o envolvimento de três ou mais produtos ocorreu somente em três casos (2%).

Dos 11 casos em que houve envolvimento de mais de um produto, dez abrangeram medicamentos e somente em um houve o envolvimento simultâneo de dois tipos de pesticidas. Dos oito casos em que dois produtos estavam envolvidos, dois foram classificados como tentativas de suicídio e seis casos como acidentes. Dentre os casos envolvendo três ou mais produtos, dois eventos estavam relacionados a tentativas de suicídio e um a acidente.

Dos 194 produtos envolvidos nas intoxicações, a sua distribuição ficou assim configurada. (Tabela 1)

 

 

Dos 92 casos que envolveram medicamentos, a predominância foi dos anticonvulsivantes (19%), seguidos dos analgésicos e antiinflamatórios (17%), broncodilatadores e mucolíticos (12%) e antibióticos (11 %). Dentre os casos de intoxicações agudas exógenas envolvendo medicamentos, 63 casos (68%), foram classificados como acidentes. Em sete casos (8%) como suicídios, dois casos (2%) como ignorada e em 20 casos (22%) outras, conforme Figura 1.

 

 

As plantas tóxicas foram responsáveis por 20 casos de intoxicações e apresentaram a variedade "comigo-ninguém-pode" (Dieffenbachia picta) como a principal causadora de intoxicação nessa área, dez casos (50%), seguida pelo pinhão paraguaio (Jactropha curcas) com 8 (40%) dos casos.

Em relação à via de exposição, a via oral foi a mais envolvida nos casos de intoxicações agudas exógenas: 154 (79,3%) do total, seguidas das vias cutâneas, mucosa e respiratória: 30 (15,4%); outras vias representaram seis casos (3%): intramuscular ou endovenosa, quatro (2%).

Não tivemos nenhum caso de óbito em crianças menores de 14 anos, causado por intoxicação aguda em Maringá e região no ano de 1995. Do total dos 194 casos, a caracterização dos eventos ficou assim distribuída. Tabela 2

 

 

Os casos classificados como graves, apresentaram a seguinte distribuição: conforme o produto causador de intoxicação: medicamentos continuam ocupando o primeiro lugar: 17 casos, seguidos dos pesticidas, seis; plantas tóxicas, três; domissanitários, dois; ignorados, três. (Figura 2)

 

 

A idade é um fator importante nos casos de intoxicações exógenas. A média de idade foi de 3,98 com desvio padrão de ± 3,68. Aconteceram dois (1%) casos em menores de três meses, 12 (6,2%) casos no grupo de 3 a 11 meses, 127 (65,5% p<0,05) entre um a quatro anos, 34 (17,5%) entre cinco a dez anos, 19 (9,8%) entre 11 a 13 anos. A Figura 3 evidencia a relação idade da criança ao tipo do produto.

 

 

Em relação ao sexo, houve predomínio do sexo masculino: 110 casos (56,7%), sobre o feminino: 83 casos (42,8%), somente em um caso não foi possível determinar o sexo do paciente.

Durante a análise das fichas dos pacientes, constatamos que em 64 casos (32,9%) havia relato da presença dos pais no local da intoxicação. Em 47 casos (24,2%), os pais não estavam presentes, pois a criança se encontrava em creche, casa de vizinhos ou em outros locais. Para um grande número de casos (83 = 42,7%), foi impossível definir se os pais estavam ou não no local da intoxicação.

Quanto aos dias da semana, observamos que os sábados foram os dias em que mais ocorreram intoxicações, 39 casos.

Em 167 casos (86%), foi possível determinar os horários das intoxicações. Notamos que a maioria dos casos de intoxicações ocorreu nos períodos próximos às principais refeições, 105 casos (p<0,05), Em Maringá e região, houve maior incidência de intoxicações no primeiro semestre do ano, 112 casos (57,7%) e 82 casos (42,2%) no 2° semestre. (Figura 4).

 

 

A maioria dos casos ocorreu na zona urbana (94%); a zona rural representou 5%, e somente em dois casos (1 %) foi impossível determinar a origem. Esses resultados acompanham a distribuição da população no município (97,4% na zona urbana e 2,6 na zona rural). Do total das crianças que fazem parte deste trabalho, 27 (13,9%) foram atendidas através de ambulatórios médicos, consultórios particulares ou através dos próprios pais, que recebiam orientação por telefone do CCI. O Hospital Universitário Regional de Maringá (HU) foi procurado diretamente por 114 vítimas (58,7%). Outros hospitais de Maringá atenderam 41 pacientes (21,1%). E em 12 casos (6,1%) as vítimas foram atendidas em hospitais fora de Maringá

 

Discussão

No Brasil, se dá pouca importância às intoxicações alcoólicas8. Acreditamos que isso ocorra muito mais devido a conceitos culturais do que propriamente à inexistência dessa intoxicação. O Centro de Controle de Intoxicações (CCI) de Maringá só passou a anotar as intoxicações alcoólicas na Ficha Epidemiológica de Ocorrência Toxicológica, a partir do ano de 1996.

Observamos, que a maioria dos eventos foi caracterizada como acidentais, isto é, houve procura espontânea por parte da criança em relação ao produto químico. Ocorreram também casos de medicação sob orientação de pais e vizinhos, caracterizando automedicação e incorrendo nos riscos aos quais esse procedimento pode levar, seguido da Reação Adversa a Medicamento (RAM), que ocorreu em 19 casos e classificada no grupo outras. Houve somente um caso de acidente profissional, em que o menor estava trabalhando na zona rural com defensivo agrícola. Tivemos, também, somente um caso de intoxicação rotulada de criminosa, em que o produto foi dado ao menor por um adulto com o objetivo de causar dano ao mesmo. Havia, no prontuário do paciente, a anotação de queixa à polícia por parte dos pais. Um dado bastante preocupante é a constatação das altas taxas de tentativas de suicídios (sete casos = 3,6%).

Os medicamentos mais envolvidos nas intoxicações graves foram os anticonvulsivantes e ansiolíticos, que ocorreram em dez (58%) dos 17 casos classificados como graves, mostrando a importância desse tipo de droga, tanto na incidência global como na gravidade dos casos. Os registros do CCI de Maringá não permitiram saber se o medicamento envolvido possuía ou não receita médica. Foi, entretanto, observado que casos com a ingestão de medicamentos dos tipos ansiolíticos e anticonvulsivantes pelas crianças estavam associados ao uso dos mesmos pelos adultos. Essas são drogas que, obrigatoriamente, necessitam de receita médica e, a criança, aproveitando um descuido dos adultos, acabou ingerindo tais medicamentos.

Dos seis casos envolvendo pesticidas em intoxicações classificados como graves, dois eram à base de piretróide, um glisofosfato, um malathion, um naftaleno, um clorofosforado.

Quando comparamos a idade e o produto envolvido (Figura 3), observamos que na idade de zero a três meses houve dois casos e esses ocorreram por erro na administração de medicamentos, o que já era de se esperar, pois nessa idade a criança ainda não tem um desenvolvimento neuropsicomotor que lhe permita a busca espontânea de objetos e produtos. Essa busca passa a ocorrer na faixa de 3 a 11 meses, quando a criança já tem ou está iniciando os movimentos de pinça e começam a aparecer os acidentes com produtos espontaneamente procurados como, por exemplo, detergentes, pesticidas, domissanitários, embora os medicamentos, ou por procura espontânea ou por erro de administração, continuem a ter uma importância fundamental. No grupo etário de um a quatro anos, os produtos mais envolvidos foram, por ordem de freqüência: medicamentos, domissanitários, pesticidas, plantas tóxicas e outros. Nessa idade, a criança já consegue andar e apresenta grande agilidade, e a procura pelo novo faz despertar a curiosidade pelas atividades fora do lar, permitindo que ocorram acidentes com plantas tóxicas.

Na faixa de cinco a dez anos de idade, a criança se afasta mais do ambiente doméstico, deslocando-se com freqüência para a escola, ruas, playground, outros locais de lazer e, algumas vezes, realizando algum tipo de trabalho, principalmente na lavoura. Os pesticidas representam a segunda causa e as plantas tóxicas, a terceira causa de intoxicações nessa faixa etária.

No grupo etário de 11 a 13 anos, que coincide com o início da puberdade, deparamos-nos com um fato novo e preocupante, que são as tentativas de suicídios, dentre os sete casos de tentativas de suicídio, seis estavam nesse grupo etário e um entre os cinco e dez anos, o que representa 3,6% de todos os casos. Os medicamentos e os pesticidas foram os produtos mais envolvidos nesse grupo etário, já então como meio para suicídio ou intoxicações profissionais (pesticidas).

Neste trabalho, notamos que os acidentes graves ocorrem com mais freqüência nos grupos etários maiores. A população compreendida entre 5 e 13 anos, que representa 27,3% da população estudada, é responsável por 42% dos acidentes graves.

As crianças do sexo feminino são mais propensas às intoxicações com medicamentos; já os meninos estão mais sujeitos às intoxicações com pesticidas e plantas tóxicas. Em relação aos produtos domissanitários, há uma distribuição uniforme em relação ao sexo.

Quando comparamos a distribuição do sexo com a característica da intoxicação, notamos que há predomínio do sexo masculino nas intoxicações acidentais, e, das tentativas de suicídio, no sexo feminino (seis casos) . Esses números foram também encontrados por SERRA & DORIA23, que citam uma relação de oito mulheres para um homem, nos casos de tentativas de suicídio. Abordando o mesmo assunto, FAZEN III5 mostra o predomínio do sexo feminino sobre o masculino, de 71%.

CONCHA2 e SCHVARTSMAN,S21 apresentam em seus trabalhos os finais de semana como os dias de maior incidência de casos de intoxicações; em nosso trabalho, o sábado foi o dia da semana em que mais ocorreu intoxicação.

Observamos, neste estudo, que não houve um predomínio das intoxicações em nenhuma estação do ano, diferentemente do observado por outros autores8,11,12,14,15,16, que citam um predomínio das intoxicações durante as estações mais quentes. Fevereiro e maio (ambos com 23 casos) foram os meses em que ocorreram mais intoxicações, sendo que, nesses meses, as temperaturas são opostas, fevereiro é quente e maio é considerado por nós, habitantes desta região, como frio. Os meses de junho e novembro registraram pequeno número de casos, 12 e 13 respectivamente, e também apresentam temperaturas opostas. (Figura 4) Quando comparamos os produtos envolvidos em relação aos locais de ocorrência, observamos que o primeiro lugar é ocupado pelos medicamentos, independentemente de sua localização; o segundo é ocupado pelos diversos tipos de pesticidas. Na zona urbana, o segundo lugar é compartilhado com os domissanitários; na zona rural, esse produto não esteve envolvido em nenhum caso. As plantas tóxicas, proporcionalmente, aparecem com maior freqüência na zona rural, ocupando o 3° lugar como produto causador de intoxicações.

 

Conclusões

Os produtos mais envolvidos nas intoxicações exógenas agudas foram os medicamentos (47%). Nas intoxicações medicamentosas, houve predomínio dos anticonvulsivantes e ansiolíticos, principais responsáveis também pelo item gravidade.

A maioria das intoxicações ocorreu no grupo etário entre um e quatro anos (65,5%). Houve mais casos de intoxicações agudas exógenas infantis no sexo masculino (56,7%), porém, as tentativas de suicídio foram mais freqüentes no sexo feminino(85%).

Aconteceram mais casos de intoxicações no primeiro semestre do ano (57,7%). Os meses de fevereiro e maio apresentaram o maior números de casos (23 casos cada um), enquanto junho e setembro apresentaram, cada um, 12 casos; sendo os meses com as menores incidências. Os sábados foram os dias em que mais ocorreram intoxicações, principalmente nos horários imediatamente antes e depois das principais refeições.

 

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Endereço para correspondência:
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Recebido para publicação: 00/00/2000
Aceito para publicação: 00/00/2000